ESTÓRIAS...

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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O RETORNO


O dia foi intenso, divertido e alegre. A reunião com os amigos na casa da praia foi um momento marcante. Não esperava encontrar tanta gente por lá, pensei que fosse ser um almoço mais familiar. O almoço foi delicioso e regado com muito vinho e música ao vivo. Uma banda tocava blues, bem ao gosto do anfitrião. Foi um dia divertido, pude rever Melissa, conversei com ela por um tempo longo, pude desfazer algum mal-entendido que havia conosco. Foi bom aquele encontro depois de muitos anos. Tive vontade de reatar nosso romance, mas achei melhor ir com calma, afinal de contas fui eu quem deu várias mancadas com ela, fui um tremendo tolo, mas já passou, hoje foi um dia de restauração. Engraçado, eu nem bebi demais, quis curtir muito aqueles momentos com os amigos e alguns familiares. Triste foi voltar para casa sozinho novamente,- aliás ando assim faz um tempão. Na hora  de ir embora, me despedi de todos e parti rumo ao meu abrigo.

Chegando em minha casa, estacionei o carro na garagem do meu prédio, entrei no elevador e desci no meu andar, abri a porta e entrei no meu apartamento. Dentro do apartamento um silêncio absoluto, liguei a TV, ela não funcionou, abri a janela da sala estava escuro lá fora, mas ainda era cedo, não era para estar tão escuro. Abri a porta do meu apartamento, sai no corredor e chamei o elevador, mas ele não chegava nunca. Nesse momento alguém passou por mim no corredor, eu disse boa noite, a pessoa não respondeu, me senti estranho e entrei no meu apartamento, olhei para fora da janela e não vi ninguém e nem ouvi aquele barulho de crianças brincando,- parecia que todo mundo havia sumido. Não havia barulho algum, peguei meu celular e liguei para várias pessoas, mas ninguém atendia, dei vários gritos e bati na parede para ver se havia alguma manifestação de algum vizinho bravo comigo, mas não houve resposta. De repente, tudo ficou escuro, as luzes se apagaram, procurei uma vela, achei, e quando tentei acendê-la ela simplesmente caiu da minha mão. Nesse momento senti um frio, parecia que tudo havia congelado, então abri a porta e sai correndo no escuro para fora do meu apartamento. Por mais que eu corresse, eu não conseguia chegar a nenhum lugar, de repente senti um baque muito forte no peito, então caí no chão.

Acordei em um hospital em uma quarta-feira de maio de 2006, havia uma enfermeira do lado de minha cama  e me olhando. Olhei para ela e perguntei: Moça, o que eu estou fazendo aqui? Ela respondeu: Como o senhor está se sentindo? Eu disse que estava um pouco tonto, então ela disse: Fique calmo, eu vou chamar um médico. Eu insisti e disse: Moça, o que eu estou fazendo aqui? Ela respondeu: Faz dois anos que o senhor está aqui... o senhor estava em coma: Hoje, o senhor retornou.

lita duarte