ESTÓRIAS...

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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

JARDINEIRAS


-Tia Drica, como a senhora consegue manter um jardim tão lindo assim?
-Carol, eu faço aqui no jardim uma extensão da minha vida. O jardim para ficar bonito e harmonioso tem que ser bem cuidado. Mas não foi sempre assim. Eu só comecei a cuidar do meu jardim depois que tive um problema muito sério de saúde.
-Tia Drica, para mim a senhora sempre foi tão saudável. Quando eu era criança, eu sempre via a senhora tão bonita e bem arrumada, tão falante e bem disposta. Parecia que a senhora não tinha problemas.
-É minha querida sobrinha, a boa aparência nem sempre significa ausência de problemas.
-Então me conta como a senhora chegou a esse ponto de ter um envolvimento tão bom com as plantas e ainda ajudar outras pessoas através desse trabalho tão especial.
-Carol, quando eu era bem jovem eu tive envolvimento com drogas, isso consumiu muitos anos de minha vida. Por causa disso, não pude cuidar bem dos meus dois filhos e o meu primeiro casamento acabou. Minha mãe cuidava de meus filhos com a ajuda do meu ex-marido. Eu vivia na casa de meus pais e trabalhava como modelo. Com o tempo passando o meu vício também foi crescendo e eu fui piorando. Ninguém sabia que eu era viciada em drogas a não ser uma amiga, às vezes eu sumia, ia para a casa dessa amiga me drogar e ficava por lá, por uns dias. Foi nessa época que eu tive uma overdose e fui parar no hospital, então minha amiga teve que falar com meus pais. A partir desse episódio o meu tormento começou. Fui internada numa clínica para tratamento, mas o local era horrível parecia um manicômio, quase fiquei louca. Daí por diante foram várias internações e nada de acabar com o vício, até o dia em que conheci uma senhora que fazia visitas na clínica para drogados. Essa senhora era muito calma e firme em suas palavras, ela me perguntou se eu queria ficar bem, respondi que sim. Ela respondeu que o caminho para a cura estava dentro de mim, e só eu poderia encontrá-lo. Fiquei muito contente com aquelas palavras e quis saber se ela fazia algum trabalho no sentido de ajudar as pessoas, ela respondeu que ela era jardineira e que a vida dela era cuidar de plantas, porque sem plantas não há vida. A partir desse dia eu comecei a mudar. Quando sai da clínica fui pra casa, conversei com meus familiares e me propus a tomar um novo rumo na vida. Procurei aquela senhora e fiquei encantada com o local em que ela mantinha um imenso jardim. Ali havia algumas pessoas cuidando do jardim. Fiquei tão entusiasmada que quis começar a trabalhar com ela ali naquele local. A partir desse momento minha vida mudou completamente. O envolvimento que eu tinha com o jardim me ocupava e me fazia ficar melhor, o meu vício desapareceu, o meu prazer estava em cuidar do jardim e de mim. Com o tempo fomos ampliando o jardim e começamos a cultivar uma horta. Depois de um bom tempo de convívio com aquela senhora aprendi que não podemos forçar ninguém a aceitar ajuda, pois cada pessoa tem o seu tempo para despertar. Um dia aquela senhora foi morar no jardim eterno e eu me vi com a responsabilidade de continuar o trabalho que ela havia iniciado.
-Tia Drica, que história fascinante! Gostei muito! E o mais importante de tudo isso, é que a senhora além de cuidar do jardim, também cuida das pessoas. E elas aprendem e passam adiante o teu ensinamento.
-Carol, um dia a gente aprende que sem conexão não há transformação.


Essa história é uma ficção baseada em fatos reais. Para a minha amiga Bete.

lita duarte