ESTÓRIAS...

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terça-feira, 15 de maio de 2012

CORAGEM


A mulher pegou sua bagagem, abriu a porta e disse adeus.
O homem que estava sentado em sua poltrona confortável levantou-se e disse:
-Mulher, você endoidou! Aonde pensa que vai?
- Eu vou correndo buscar a glória!
-Ficou louca mesmo! Que Glória! Não me diga que você mudou de time!
-Não Abílio! Só pensei alto, lembrei de uma música dos Mutantes... Eu vou correndo buscar a glória... Minha glória. –Ah deixa pra lá.
-Edite, eu exijo uma explicação!
-Hahahahahahaha. Uma explicação? – Abílio, olha pra você, sempre igual, sempre na mesma, sempre me tratando mal, me ignorando e se achando o tal. Pois saiba que eu cansei! Já faz tempo que cansei de você e suas manias e covardia. Olha, é muito simples: criei coragem, e quando a gente cria coragem à gente fica valente. – Nossa! Quanto tempo eu perdi com você! E eu que pensava que nós tínhamos muitas coisas parecidas. Na minha ingenuidade pensei que fôssemos iguais. - Graças a Deus eu descobri que não tenho nada a ver com você, pena que demorou muito tempo, mas ainda bem que não é tarde. Eu pensava que você me amava. Fui uma tola. Você não ama nada e ninguém. Você nem sabe o significado dessa palavra. Ainda bem que não tivemos filhos. Agora me sinto aliviada, nada me prende a você.
-Então é assim Edite, você pega suas coisas e vai embora! E como eu fico?
-Ora, fique aí repetindo sua velha forma de ser e viver, quem sabe alguém se interessa por você, mas acho que vai ser difícil, porque as mulheres não querem companhia desagradável, penso que eu fui a última e única tola que se ligou em alguém tão desconexo. E por favor, seja feliz.

Depois de sair de casa e aliviada, Edite parou em uma lanchonete para tomar uma boa xícara de café e reanimar. Afinal de contas a moça havia criado coragem.  E isso era tudo o que ela precisava.





lita duarte