ESTÓRIAS...

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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A ALDEIA

Januário era um ser com algo de primitivo que lhe deixava encantador.


Quando chegamos naquela aldeia de pescadores, não imaginávamos que teríamos momentos tão profundos. O lugar era lindo, um pedacinho do céu, tudo naquela aldeia tinha um ritmo vibrante e cheio de vida. Não havia por lá nada que nos tirasse do contato íntimo com a natureza. Dormíamos e acordávamos com a eterna música do mar.


Crianças por todos os lados, homens trabalhando no mar ou na lavoura de hortaliças, mandioca e milho. As mulheres cuidando da casa, dos filhos, e fazendo artesanato de madeira e barro. Algumas mulheres davam aula na pequena escola da aldeia.


Januário era um homem de uns quarenta anos, moreno, queimado de sol, cabelos encaracolados, olhar sereno voz macia e grave, robusto, alto, muito alto e de uma generosidade, uma paciência e educação que chegava a impressionar. Ele tinha uma família muito bonita, esposa e dois filhos, ele era construtor de casas, todo mundo na aldeia chamava o Januário, quando queria construir uma casa. Ele, além de construir casas, também gostava de cultivar uma horta que mantinha no seu quintal. Em sua horta, além de verduras como couve, almeirão e chicória, ele também plantava ervas medicinais. Sempre aparecia alguém na casa dele para pedir algum tipo de erva para curar alguma doença, o mais interessante é que ele parava o que estava fazendo para ir colher a planta que a pessoa precisava, isso quando não havia a planta seca.

Quando estávamos lá, tive a oportunidade de ver quando ele atendeu uma senhora que foi buscar umas ervas para fazer um chá para seu filho de quatro anos que estava muito doente. Januário perguntou para a mulher: Como está o seu filho? Ele sente dor em que parte do corpo? Precisa tomar cuidado com o que vai dar para ele, porque tem planta que precisa ser usada com muito cuidado, se usar de mais, vira veneno. A mulher respondeu: Seu Januário, o menino está com uma barriga muito grande, está sem dormir e chora muito, eu não sei o que fazer, tenho que ir na cidade para passar com ele em um médico, mas é tão longe que preciso fazer alguma coisa para acalmá-lo. Januário respondeu: Acho que seu filho está com vermes. Leva essas folhas e faz um chá pra ele tomar, você vai ver que nem vai precisar passar com ele no médico, mas para de dar doces pra ele, o chá precisa ser tomado sem açúcar, se ele não conseguir tomar, então coloque um pouquinho de açúcar só para dar um gostinho. Depois disso a mulher agradeceu pela atenção e foi embora.


Ali naquela aldeia o tempo parece que havia parado, o relacionamento entre as pessoas tinha algo de bom, havia solidariedade e alegria. Tudo era tão limpo, tão harmonioso que parecia um sonho.


lita duarte