ESTÓRIAS...

ESTÓRIAS...

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

DONA JÚLIA


Naqueles dias em que o tempo era longo e a felicidade nem tinha nome, eu e dona Júlia vivíamos cuidando dos patos que ela tanto gostava de manter ali no seu quintal. Era um tempo de serenidade e não havia pressa.


Depois de acordar, tomar café e ajudar minha mãe nas arrumações da casa, eu costumava ir ajudar dona Júlia a cuidar dos patos. Certa manhã, depois de ter alimentado os patos, dona Júlia me disse para olhar para a mangueira que estava cheia de manguinhas. Ela disse: Veja como está linda a nossa majestosa mangueira, logo teremos mangas maduras, então você poderá chamar seus irmãos e colher mangas maduras pra nós saborearmos. Eu disse: Ah dona Júlia, vai demorar muito para que as manguinhas fiquem boas pra gente comer. Ela disse: Não vai demorar não! Já estamos em agosto, em dezembro no mês do Natal, isso aqui vai estar forrado de mangas maduras, passa rapidinho o tempo. Eu disse: Nossa! Mas o Natal está muito longe, eu queria comer manga madura agora! Então ela riu e disse: Sabe de uma coisa, quando se é criança parece que o tempo demora para passar, mas depois que ficamos adultos, o tempo passa rápido demais. Quando você crescer vai entender o que eu digo. Sabe que eu tenho tantas lembranças do tempo em que eu era criança lá no Japão. Parece que posso sentir o cheiro daquelas belas árvores floridas que ficavam perto de minha casa, parece que posso ouvir as vozes de meus irmãos e de outras crianças com as quais eu brincava, parece que foi há tão pouco tempo. Então eu disse: Por que a gente não pode parar o tempo? Ah, eu não quero crescer não! A senhora ficou triste quando lembrou do Japão. Eu não quero ficar triste! Eu quero tudo assim, desse jeito, não quero que o tempo passe. Então dona Júlia riu muito e me disse: Para de dizer essas coisas, você vai crescer e vai ser muito feliz, me dá sua mão, vamos entrar que eu vou preparar um lanche bem gostoso para você, e você vai me falando o que vai querer de presente de Natal.


lita duarte