ESTÓRIAS...

ESTÓRIAS...

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

OS RUÍDOS


Da janela e de manhã, ele ouvia o som dos passarinhos, ficava encantado e pensava: Como pode esses pequenos seres produzirem um som tão bom e audível. E assim ele percorria os dias, tentando compreender os sons, os ruídos que faziam parte da vida,- da sua vida.

Ari era uma figura tranquila, mas que dizia assim: Os ruídos estão por todos os lados, eles me acompanham por onde vou. - Eu queria ser cantor, mas minha voz não deu pra isso. Eu toco tambor, o tambor me acompanha onde vou. Ouço sons, muitos sons. Gosto de vozes, o barulho das vozes nos lugares, nos lares, nos bares, nos trens,- gosto de vozes de gente,- gente tem cara da vida. Vida sem gente não é vida. Gosto de ser só, de ouvir e ouvir,- vejo pouco, prefiro ouvir. Ouço tudo que se passa por aí,- já me chamaram de tantas coisas, mas eu nem ligo. Eu tinha uma namorada, - Rosa, ah que nome lindo de mulher. Porque ela foi embora,- me achou muito estranho. Ela dizia que eu só queria saber dos sons, dos ruídos. - Rosa era uma moça bonita, às vezes nós íamos no alto de um morro só para eu ouvir ela cantar pra mim, lá no alto o som ficava vibrante, mas um dia a Rosa cansou de mim e foi embora. E eu que pensava que ela me compreendia.- Ah, fui muito tolo. Eu pensava que ela gostasse do meu jeito e do meu gosto pelos sons,- mas que nada, ela só me enganou, ou será que fui eu que me enganei! Também quem mandou eu ser assim - tão ligado nos sons. Acho que um dia eu vou mudar, mas eu preciso parar de ouvir os ruídos que estão dentro de mim.

lita duarte