ESTÓRIAS...

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quarta-feira, 1 de junho de 2011

A ESCOLA


Quando eu cheguei naquela cidade, não imaginava o que me aguardava. Fui lá para dar aulas em uma escola que ficava em uma vila muito distante. Algumas pessoas me disseram que eu não devia ir lá. Disseram que era um lugar perigoso, e que alí só havia gente ruim. Como eu precisava trabalhar e queria fazer valer o meu aprendizado, arregassei as mangas da minha camisa e fui à luta.

De fato, encontrei um lugar muito pobre e sem recursos. Pessoas muito conformadas com suas vidas. Crianças não faltavam! Havia muitas crianças. O prédio da escola estava em ruínas, havia três salas de aula e uma secretaria.

Quando comecei a dar aulas, fiquei muito chocada com algumas cenas que presenciei.

Certa vez, um aluno de sete anos chegou perto de mim, e disse que estava doente. Eu perguntei o que é que ele estava sentindo e qual era sua doença. Ele respondeu que estava com sarampo. Eu olhei bem para ele e disse que ele precisa ir para casa, porque não podia ficar na escola junto com outras crianças. Ele respondeu que não queria ir para sua casa, porque a escola era o lugar onde ele mais gostava de ficar. Eu disse que ele precisa ficar separado das outras crianças, porque o sarampo poderia passar para os outros alunos. Então ele me disse que já estava sarando. Foi aí que eu pedi para olhar os seus braços. Ele ficou encabulado, mas deixou. Quando eu vi os braços daquele aluno, tive vontade de chorar. Seus braços estavam marcados com vergões enormes, então pedi para que ele tirasse a blusa para que eu visse suas costas. Infelizmente constatei algo terrível! Aquela pobre criança havia sido espancada. Fiquei em uma situação difícil. O que eu poderia fazer!

Fiz curativos no aluno, depois fui com ele até sua casa. O lugar era muito estranho, confesso que tive medo, mas não recuei, falei com sua mãe, ela me disse que o seu marido quando bebia, espancava os filhos. O que fazer nessa situação? Eu disse para aquela senhora tentar evitar que seus filhos fossem maltratados, que ela procurasse ajuda. Ela me disse que gostaria de ser ajudada, mas quem faria isso por ela. Quem lhe daria ajuda.Fiquei em um beco sem saída, porque minha boa vontade em ajudar não era suficiente. Sozinha era difícil conseguir alguma mudança.

Com o passar do tempo, algumas coisas melhoraram, mas ainda existe muita precariedade por lá. Falta água, falta asfalto, falta merenda. O que tem de bom, é que os pais de alguns alunos tomaram contato com a vida escolar de seus filhos, isso fez uma boa diferença, porque conseguimos um melhor relacionamento entre pais e seus filhos.

lita duarte

(texto baseado em fatos reais)