ESTÓRIAS...

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quarta-feira, 25 de maio de 2011

"O MOÇO"


Quando o moço de cara comprida disse que estava apaixonado por mim, fiquei feito uma boba, era isso o que eu queria. Que ele ficasse apaixonado por mim. Hum, não prestou! Enquanto eu dava uma de difícil, o moço me rodeava como um bezerro desmamado. Bastou eu lhe dar confiança e começarmos um namoro, para que ele começasse por mostrar suas garras afiadas e seus dentes dispostos a cravar em minha jugular. Bem que minha tia me avisou, mas eu não quis saber.

Tia Julinha era daquelas pessoas vividas, só de olhar a cara do sujeito ela dizia se ele prestava ou não. Ela me dizia: Celina, cuidado com esse tipinho aí! Ele não me engana. Não gosto de gente que olha de lado, nem de gente que fica escondida atrás das árvores sondando os outros. Dentro da cabeça desse moço só passa maldade. Eu dizia para ela: Tia Julinha, pare com isso, você cisma com todo mundo! Deixa o Vladimir em paz. Eu gosto dele. Vai fazer o seu tricô e assistir suas novelas, mas me deixa em paz.

E os dias iam passando. E meu romance com o Vladimir esquentando. Só que o danado começou a sumir, se no início do namoro ele aparecia todos os dias para me ver, depois que se sentiu dono do pedaço, ficava uns quinze dias sem aparecer. Eu achava estranho, então, a tia vinha com suas falações para me chatear. Ela dizia que o Vladimir tinha outra, e que eu estava bancando a tonta. Ai, aquilo me irritava. Eu não entendia porque ele agia daquele jeito, oras, se ele não gostava mais de mim, por que não dizia? O que é que se passava com ele. E ele continuava do mesmo jeito, sumia, e quando voltava não me dava explicações.

Um dia, fiquei cheia daquela situação, depois de vários dias sem nos encontrarmos, ele apareceu, então eu o coloquei na parede, eu disse: Vladimir, o que acontece com você? Fala pra mim! Você tem outra namorada? Me diz, me responda, por favor! Ele ficou uma fera e disse: Escuta aqui Celina! Eu não admito que você fale assim comigo, quem você pensa que é! Olha, eu vou sair agora e não sei se volto, ouviu!

Então eu chorei muito. De fato, ele sumiu por uns meses. E eu o procurei feito uma besta. Escrevia, telefonava, mas nada do moço responder. Certo dia, eu não aguentei e fui procurá-lo, ele me recebeu bem, ele parecia bem, mas estava distante demais. Ele não me disse nada do que eu gostaria de ouvir. E eu fiquei sem vontade de falar o que eu queria falar. Senti naquela hora uma espécie de abismo entre nós. Fui embora e me fechei para ele.

O tempo passou. Um dia, recebi uma notícia triste, me disseram que ele havia morrido, foi estranho, mas eu não senti nada. Só fiquei chateada porque ele partiu muito cedo, resolveu ir antes da hora.

lita duarte