ESTÓRIAS...

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terça-feira, 22 de março de 2011

O MAL EXISTE...

NANDO, O CHARMOSO

Quando nos conhecemos, parecia que seria um mundo de descobertas e felicidades. Durante uma certa época, realmente foi, mas depois, tudo foi ficando estranho. Com o passar do tempo, fui descobrindo que aquela pessoa maravilhosa que eu havia conhecido, não era quase nada do que eu pensava. Será que fantasiei demais, eu costumava pensar. Eu queria acreditar que havia encontrado alguém com bons sentimentos e que realmente gostava de mim. O tempo revelou que eu havia encontrado uma pessoa cruel. Era uma pessoa que costumava enganar os outros para poder obter lucros e vantagens. Aquela pessoa usava os outros, e quando não queria mais, simplesmente descartava, virava as costas e sumia.

Certo dia, eu estava em um almoço de confraternização quando conheci o Nando. Ele era uma pessoa alegre e simpática. Era um tipo que se comunicava muito bem, atencioso, charmoso e muito empenhado em agradar a todos. Como era gentil! Eu deveria ter ligado o “desconfiômetro”, mas fiquei ali, numa boa, assim como todo mundo

Ele deve ter percebido algo em mim, porque colou em mim feito um carrapato. Claro, quem era eu! Eu era uma pessoa com a qual ele poderia se relacionar para obter certas vantagens.

Fizemos amizade, ficamos muito unidos, eu contava tudo pra ele, mas ele me contava algumas coisas, eu sentia que ele era resistente em certos assuntos. – Família, ele nunca falava na família, quando eu perguntava, ele dizia que seus pais moravam em outro estado e que raramente os via. Irmãos, ele dizia que só tinha uma irmã, mas que não se dava bem com ela.

Eu possuía uma boa condição financeira, ele vivia me pedindo dinheiro emprestado e nunca devolvia. Ele quase não parava no emprego, mas dizia que era formado em arquitetura. Jamais me levava na casa dele. Dizia que era muito longe, enfim, me envolvi com um cara estranho, mas gostava da companhia dele. Sentia-me bem, quando estava com ele. Mas quando ele sumia, sim, ele sumia, ficava meses sem se comunicar comigo…

Ele gostava de me chamar pelo meu nome, ele dizia: Estela meu bem! Bastava para eu me derreter e esquecer os vacilos dele. Acho que ele sabia me prender.

Um dia, recebi um telefonema estranho, era um policial, ele falou meu nome e perguntou se eu conhecia o Fernando (Nando), eu disse que sim, então ele disse: Fica calma, o Fernando foi preso, ele está sendo acusado de ter cometido um crime. Ele matou os próprios pais. – Ao ouvir aquela notícia, entrei em choque.

Dias depois, fui descobrindo através dos noticiários da TV, que aquela pessoa com a qual eu me relacionava, era um sociopata. Ele tinha uma vida toda bagunçada e já havia enganado muitas pessoas com seu charme irresistível.

Lita Duarte