ESTÓRIAS...

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segunda-feira, 7 de março de 2011

O LOBO

Quando nós chegamos ali no sítio do senhor Zuza, não queríamos outra coisa a não ser esperar à noite chegar, e assim nos prepararmos para ver o Lobo, que aparecia ali de vez em quando. Queríamos ter sorte naquela noite. Nos preparamos e ficamos esperando pelo Lobo. – O tempo foi passando e nada do Lobo chegar. Ouvíamos os grilos, os sapos, as rãs, mas nada de Lobo. Na madrugada fazia muito frio ali na Serra da Bocaína. Pouco a pouco o grupo de seis pessoas ficou reduzido em duas, mais tarde somente eu estava ali na madrugada fria esperando o Lobo chegar. – Ele não chegou naquela noite e nem na seguinte. O grupo já havia desistido de ver um Lobo naquelas bandas. Eu pensei: mas que gente impaciente, pensam que é assim. - Oras, um bicho selvagem tem seus hábitos, não é porque o tal costuma aprecer ali, que vai coincidir com o querer das pessoas que aparecem no local só para matar a curiosidade de ver um Lobo ao vivo. – Mas confesso que eu só pensava no bicho.

Era a terceira noite ali naquele sítio encantador, fazia uma noite de temperatura agradável, o senhor Zuza preparou uma refeição especial para Lobos, colocou no lugar de costume e depois foi dormir. Eu e mais três pessoas ficamos lá fora na varanda sentados em cadeiras e cobertos com mantas. Não queríamos que o Lobo se assustasse conosco. O tempo foi passando e nada do Lobo aparecer. O sono também foi chegando, e as três pessoas que me faziam companhia foram dormir na cama, desistiram de ver o Lobo. – Confesso, eu também estava com muito sono, mas fiquei ali fora. Cochilei. – Quando acordei, pensei que estava sonhando. Senti um cheiro muito forte, vi um bicho mexendo na comida que o senhor Zuza havia preparado. Tentei ficar o mais quieta possível, eu sabia que Lobos são animais extremamente tímidos, o menor ruído iria fazer o Lobo sair correndo. Fiquei ali enrolada na manta, havia uma luz bem fraquinha de uma lâmpada que ficava em uma extremidade da varanda. Mas eu podia ver nitidamente aquele belo animal se alimentar, também percebi pelo jeito dele se posicionar para urinar, que se tratava de um macho. A minha vontade era de chamar as outras pessoas para compartilhar com elas aquele momento único. Também queria ter tirado fotos, mas se eu fizesse isso; não teria tido o prazer de ver o que vi. Nem sei quanto tempo durou aquela contemplação, só sei que foi algo fora do comum, me senti totalmente integrada com a Natureza. O Lobo ao terminar de se alimentar, olhou para os lados, ergueu o focinho para sentir o cheiro no ar, deu uma caminhada pela varanda e saiu andando calmamente, entrou no mato e sumiu. Eu fiquei ali até o dia amanhecer, queria sentir aquele momento até o fim.

lita duarte