ESTÓRIAS...

ESTÓRIAS...

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O BEBÊ DE JOANA

Aquela menina estava ali, em cima de uma cama após ter dado à luz. Ela sofria. Embora para algumas pessoas o olhar daquela menina parecesse calmo e tranqüilo, em seu peito queimava uma dor. Só quem passa pelo inferno pode saber como dói sobreviver a ele.

Era o ano de 1974, Joana estava com dezesseis anos e já estava “perdida na vida”- assim diziam alguns de seus parentes mais próximos. Tudo porque, Joana havia se engraçado com um menino que se achava muito homem, mas não se sentia responsável pelo bebê que ela carregava no ventre. Resultado de um envolvimento fora de hora e sem preparo, mas alguns diziam: Que se casem e vão cuidar da vida! Tiveram capacidade para fazer um filho, então, que tenham capacidade para enfrentar a vida. Ora, tanta gente casa cedo.

Dias e dias se passaram e o bebê cresceu no ventre da menina, faltavam poucos dias para ele nascer. Nessa altura da vida, Joana estava só. Seu namorado sumiu! Ele dizia que gostava tanto dela e que nunca lhe deixaria. Pois sim, ele a deixou. A família de Joana não quis saber da menina. Seus pais eram pessoas estranhas, tratavam os filhos com distanciamento, sem afeto e sem emoção. Restou para a menina a caridade de uma tia velha, que fez o favor de lhe internar em um abrigo maternal. Nesse local onde eram recebidas mulheres grávidas sem condições de cuidarem de seus filhos, havia um programa de adoções. Muitas vezes, “as mãezinhas”, assim eram chamadas as meninas adolescentes, - nem sabiam direito o que estavam fazendo ali. Na maioria das vezes elas entregavam os filhos para adoção, sem a menor informação do procedimento. Para algumas era dito que o bebê havia morrido. Então, a mãezinha ficava muito triste e ia embora, sabe-se lá para onde.
Com Joana aconteceu assim.

No dia do nascimento de seu bebê, ela foi levada para uma sala, um médico lhe fez um procedimento cirúrgico, o bebê nasceu saudável. Joana dormiu e só acordou no dia seguinte. Ao abrir os olhos, Joana deu de cara com uma enfermeira lhe fazendo curativo. Joana dizia que estava sentindo dores e que estava com sede. A enfermeira era muito rude e deu uma resposta mal educada. Então Joana perguntou sobre o bebê. A enfermeira respondeu: Seu bebê morreu! Mas não liga não, você é nova e tão bonitinha, logo vai arrumar um marido e um novo bebê. Isso, se você não cair na lábia de um cara qualquer que vai te fazer de boba, um filho e depois sumir

Pobre Joana saiu do abrigo maternal após uma semana de ter dado à luz. Sem o bebê, sem namorado, sem família e sem rumo na vida.

lita duarte

Texto baseado em fatos reais.