ESTÓRIAS...

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domingo, 24 de outubro de 2010

A MOÇA E O VELHO


Cheguei naquela cidadezinha em uma manhã de sábado. Esperava encontrar o que eu havia ido procurar. Há muito tempo que eu queria ir até aquele lugar distante. Era o desejo de meu tio que eu fosse até lá para ver de perto o lugar de minha origem.

Viajei muitos quilômetros para chegar num lugarejo que na minha imaginação era muito bonito e povoado de pessoas alegres. Acho que me deixei levar por uma inocência infantil.

Ao chegar à cidade, logo na entrada havia uma antiga estação de trens, parecia que não passava ninguém por ali há muitos anos.
Encontrei um velho sentado em um banco fumando um cachimbo. O velho era barbudo e tinha a pele muito enrugada, ele usava um chapéu de palha e suas roupas pareciam muito antigas. Eu me aproximei do velho para pedir umas informações. Eu o cumprimentei com um bom dia, ele respondeu. Então eu disse que estava ali para encontrar o sítio do senhor Pietro, o ex-proprietário da antiga barbearia. O velho respondeu: Moça, o sítio do Pietro fica lá pelas bandas do Tijuco Preto, uns doze quilômetros daqui, mas é perigoso ir até lá sozinha. Esta cidade ficou abandonada, existem poucos moradores, mas por causa do abandono o mato tomou conta de tudo, tem muito bicho selvagem por aí. Se a senhora quiser eu posso ir lá com a moça.
Eu agradeci o velho e disse que aceitava sua ajuda. Então entramos no carro e fomos para o sítio. Eu disse ao velho que era bisneta de Pietro. Ele me disse que o meu bisavô era um homem muito bom, mas que às vezes metia os pés pelas mãos. O velho foi me contando várias estórias enquanto íamos em direção ao sítio. Algumas estórias eram muito alegres e divertidas, outras tristes demais, como aquela em que houve uma briga no cinema, e um amigo matou o outro por causa de uma discordância boba.
O velho contou assim: Sabe moça, aqui antigamente era uma cidade com muita vida, havia um cinema que era a grande diversão do pessoal daqui. No final da tarde depois do trabalho a maioria dos homens iam ao cinema. O Juca e o Rafael eram amigos e gostavam daqueles filmes de cowboy, eles eram fã do Tom Mix. Pois é, naquele dia, naquele ano de 1939, aconteceu de os dois brigarem por causa de uma disputa política.
A briga começou dentro do cinema e acabou na Rua Direita, em frente o mercado. O Juca deu vários tiros no Rafael, o infeliz nem teve como reagir. Foi tudo muito triste.
O Juca foi preso, mas logo saiu, ele era sobrinho do prefeito da cidade. Mas aconteceu uma coisa terrível com o Juca, o homem ficou louco, ele andava pelas ruas dizendo que tinha um homem montado nas costas dele. É moça, eu já vi cada coisa nesta cidade que a senhora nem imagina.

Depois de algum tempo andando por uma estrada cheia de mato, finalmente chegamos ao sitio do Pietro.

continua...

lita duarte