ESTÓRIAS...

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terça-feira, 19 de outubro de 2010

ESTER, A HABITANTE DO PARQUE

Eu caminhava por entre as árvores naquela manhã fresca e agradável no parque do Flamengo, aqui no Rio de Janeiro. Era o ano de 2003. Eu tinha o hábito de fazer isso logo cedo, antes de ir trabalhar. Mas nesse dia aconteceu algo diferente e assustador. Ao cruzar uma rua do parque, senti um baque nas costas e cai no chão, quando me levantei dei de cara com uma mulher me encarando e dizendo que eu estava invadindo seu território. Eu, um homem de quarenta anos e quase dois metros de altura olhei nos olhos dela e disse: O que foi que eu fiz? Nesse instante ela disse um monte de palavras enroladas que eu não entendi. Parecia que ela estava entrando num transe. Depois de alguns segundos ela voltou ao normal e perguntou o meu nome. Eu respondi: Sou o Silas, e você quem é?
Ela olhou para longe e me disse: Meu nome era Ester, mas hoje eu já não tenho nada, nem meu nome.

Não sei o que me deu, mas me interessei por aquela mulher, me interessei em saber sua história.
Todas às vezes que eu ia ao parque eu procurava encontrá-la, mas parecia que ela havia sumido.
Um dia, andado por lá sem pensar em nada, eu a vi de longe entre uns coqueiros, ela estava dançando. Eu me aproximei de mansinho, ela se assustou, eu disse para ela ficar calma, pois eu só queria conversar um pouco com ela. A mulher olhou pra mim e disse: Quer conversar o quê? Ninguém fala comigo há muito tempo, acho que eu nem existo, acho que sou um fantasma, é, você está vendo um fantasma! Dizendo isso, saiu correndo e sumiu entre as árvores.
Deu-me vontade de correr atrás dela, mas no fundo, eu não queria assustá-la. Então fui dar uma volta. Acabei indo embora.

lita duarte