ESTÓRIAS...

ESTÓRIAS...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

OS MOLEQUES

Foram duas horas de viagem naquela estrada poeirenta e debaixo de um sol de rachar.
Quando chegamos ao sítio, pudemos ver o estrago da chuva da noite anterior.
O senhor Zuza, que era o caseiro do sítio de Rosana dizia que estava sendo difícil manter aquele local protegido, para que os “ladrõezinhos” não entrassem lá. Ele dizia que estava a fim de largar aquilo tudo, porque a pior coisa no mundo é ficar brigando com gente ruim.

Rosana me explicou que o sítio vinha sendo alvo de moleques que iam lá para roubar frutas, mas que também maltratavam os animais e quebravam tudo o que viam pela frente.
O senhor Zuza estava cansado de brigar com eles. Da última vez que os moleques entraram no sítio, fizeram um estrago tão grande e até puseram fogo em uma parte da casa.

Rosana me levou para conhecer o sítio antes de colocá-lo à venda. Ela dizia que já estava desanimada, pois o maior problema era o que levava os moleques a se portarem daquele jeito. Eles não queriam saber de nada. Pois certa vez, ela disse que tentou ajudá-los, arrumando emprego e escola para alguns deles. Ela disse assim:
-Amiga, hoje em dia o maior problema que enfrentamos com a maioria dos jovens, é porque eles estão indo para o mundo das drogas. Como ajudá-los, se o incentivo para isso está em todos os lugares. Eu realmente não sei o que fazer. Penso que estamos num caminho sem rumo.

Passado alguns dias, Rosana vendeu o sítio. Senhor Zuza ficou sem emprego, e aquele belo lugar vai ser transformado em um pasto para animais.
Os moleques? Alguns morreram... Foram mortos, e os outros estão por aí, sem rumo.


lita duarte