ESTÓRIAS...

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quinta-feira, 29 de julho de 2010

O QUE É A VIDA?

Dona Celinha, de oitenta e sete anos morreria sozinha, se não fosse à bondade de algumas pessoas que tinha muita atenção com ela.
Ela era só, viúva e sem filhos. Falava três idiomas, foi uma mulher muito ousada na sua época de jovem, porque trabalhava e usava calças compridas, era muito independente, culta e só se casou aos trinta anos.

Há seis anos ela ficou viúva, sempre dizia que viveu um casamento muito feliz e que não sentia falta de filhos. Ela e o marido viajavam muito, tinham um relacionamento muito bom, mas viviam focados em si mesmos. Ao longo do tempo foram se afastando dos amigos e parentes. Ela dizia que era feliz, mas vivia sempre só. Às vezes ela ia à igreja. Como estava muito velha e doente dependia da bondade de vizinhos e alguns conhecidos.

Ela morava em um pequeno apartamento onde vivia confinada, por vontade própria. Não possuía convênio médico. Pedia para uma pessoa que fazia faxina em seu apartamento para lhe fazer compras de mercado. Quando recebia uma visita, ficava contente, porque podia conversar e dizer das suas dores e de seu passado.
O que mais me intrigava era saber que, todos os dias a vida daquela senhora era uma rotina na qual ela já não esperava mais nada. Eu sempre ficava imaginando a madrugada dela. Sim, porque ela me dizia que só conseguia dormir depois das duas horas da manhã, isso quando o sono chegava, porque às vezes ele não chegava.

Dona Celinha partiu o mês passado para a eternidade. O que ninguém imaginava é que ela tinha um bom dinheiro no banco, uma quantia boa mesmo que daria para ela ter vivido bem melhor, porque as pessoas a ajudavam pensando que ela passasse necessidades.
Dona Celinha era considerada uma pessoa culta e esclarecida. Dona Celinha deixou todo o dinheiro e o apartamento dela para o estado.
O mais triste dessa história, é saber que ela não aproveitou o que tinha direito: se alimentar bem, desfrutar do que é bom e também contribuir para melhorar a vida de quem não tem recursos.
Enfim, dona Celinha viveu como quis, tomara que ela tenha realmente sido feliz.


lita duarte