ESTÓRIAS...

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terça-feira, 30 de março de 2010

O SENHOR JACÓ

Jacó, era um homem muito só, mas ele gostava de ser só. Ele tinha poucos amigos, na verdade o único amigo que ele tinha era um gato amarelo. Ele tinha o hábito de afastar as pessoas de seu convívio, diziam que ele era um homem muito estranho. Diziam que ele ficou assim depois de ter perdido um grande amigo em um acidente de barco em uma represa. Eu só sei que por um acaso um dia eu o conheci. Não demorou muito tempo para que eu e ele nos entendessemos. Foi assim que aconteceu.


Um certo dia do mês de maio, eu e meus amigos estávamos jogando bola na rua de casa. Isso foi há muito tempo. Sabem, aquele tempo em que as crianças podiam brincar sossegadas nas ruas próximas de suas casas e que nem existia televisão, só rádio. É, foi nesse tempo aí. Bem, estávamos jogando bola quando de repente eu chutei a bola e a bendita caiu no quintal da casa do seu Jacó. Ah, esqueci de dizer: todas às vezes que caía uma bola no quintal dele ele pegava a bola e guardava, não entregava pra ninguém. Também só de pensar em pedir para que ele entregasse a bola; as crianças tremiam de medo e desistiam. Eu fiquei com medo de ir pedir a bola pra ele, mas pensei: vou arriscar. E foi o que eu fiz. Bati palmas no portão, de repente vi uma figura alta e magra vindo em minha direção. Era ele, sr. Jacó. Chegou no portão e perguntou o que eu queria. Então respondi que se ele poderia por favor pegar a bola que caíra ali no seu quintal. Ele olhou me nos olhos e perguntou o meu nome. Respondi que era Otávio. Ele me disse para esperar um pouco foi lá onde a bola estava, então ele a pegou e entregou para mim. Eu agradeci e quando virei para ir embora ele me perguntou se eu gostava de ler; respondi que sim. Ele me disse que se eu quisesse um dia poderia passar lá na casa dele para ele me mostrar sua biblioteca. Eu disse que iria lá qualquer dia. Fui embora sem entender nada. Porque aquele homem me tratou bem, já que diziam tantas coisas ruins sobre ele. Cheio de curiosidades sobre o sr. Jacó, passei na igreja para perguntar para o padre João, porque o sr. Jacó era tratado como esquisito. O padre me disse que, em certos lugares uma pessoa fica falada simplesmente porque prefere viver isolada, então o povo cria estórias segundo as suas fantasias.


Um certo dia, fui visitar o sr. Jacó, ele me recebeu muito bem e me mostrou um montão de livros, fiquei tão encantando que não parei mais de ler. E o mais importante é que eu e o sr. Jacó ficamos grandes amigos.

lita duarte